Situação Ambiental

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Buscamos um ciclo virtuoso em que a restauração da flora atraia a fauna e ambas atraiam o olhar das pessoas, renovando a esperança na recuperação e revitalização do Rio Pinheiros e, consequentemente, aumentando a estima pela cidade.
Passados mais de oitenta anos do início das grandes transformações feitas no Rio Pinheiros e na sua bacia hidrográfica, é preciso compreender as causas e as razões de sua degradação ambiental atual.

Para isso, é necessário observar não apenas o Rio Pinheiros, mas também e os cursos hídricos que nele deságuam e seus territórios adjacentes. É preciso que se compreenda a bacia hidrográfica do Rio Pinheiros.

Formada por vinte e três afluentes principais, a bacia do Rio Pinheiros é uma bacia hidrográfica urbana, que ocupa parcelas dos municípios de Osasco, Embu das Artes e São Paulo e integralmente o município de Taboão da Serra.

A partir de um agressivo processo de urbanização, iniciado na década de 1930 e que perdura em menor escala até os dias de hoje, tivemos na região:

  1. O crescimento populacional, principalmente em áreas mais distanciadas do centro da cidade de São Paulo;
  2. O aumento de estabelecimentos de caráter industrial e;
  3. A majoritária substituição da superfície original da bacia hidrográfica do Rio Pinheiros

O crescimento populacional gerado fora do eixo central da cidade de São Paulo se deveu ao baixo preço atribuído a terra, se comparado aos valores praticados nos núcleos urbanos que apresentam infraestrutura consolidada, e à falta de eficiência na fiscalização por parte do poder público, já que muitas das áreas ocupadas situavam-se próximas de mananciais.

O estabelecimento populacional e industrial em áreas sem infraestrutura básica acabou levando à poluição dos cursos hídricos por meio do lançamento de efluentes domésticos e industriais sem qualquer tipo de tratamento em rios e córregos pertencentes à bacia do Pinheiros.

Com o aumento de demanda por terra, observaram-se também mudanças significativas no uso do solo da região. Gradativamente, a cobertura original desta bacia foi sendo substituída por superfícies impermeáveis com a implantação e o estabelecimento de ruas, avenidas e novas construções nos espaços de córregos, áreas de nascente e áreas de várzea. Não havendo mais áreas permeáveis, verificou-se o aumento da incidência de cheias e inundações ao longo de grande parte do território e a perda da capacidade de autodepuração hídrica.

Atualmente, a poluição do Rio Pinheiro é atribuída à alta carga de esgoto recebida por seus afluentes e à poluição difusa causada pelo carreamento de substâncias oriundas da má varrição de rua, lixo não recolhido, entulho, poluição do ar que se deposita no solo e de vazamentos ocasionais que atingem os recursos hídricos superficiais e/ou subterrâneos. Somente a poluição oriunda do lançamento de efluentes industriais passou a ser controlada após o lançamento de fortes campanhas de fiscalização e de ações punitivas por parte da CETESB entre as décadas de 1970 e 1980.

A grande dificuldade em se minimizar a poluição do Rio Pinheiros e de seus afluentes no que diz respeito ao esgoto sanitário e à carga difusa está centrada em duas principais esferas de atuação: a técnica e a política.

Na esfera técnica há a dificuldade na implantação de infraestrutura de saneamento ambiental em áreas irregulares estabelecidas na bacia do Pinheiros, pois o layout e padrão construtivo usualmente verificados nessas localidades não permitem a instalação de serviços.

Ainda no âmbito técnico, encontram-se as estruturas de drenagem que são implantadas com o objetivo único de afastar rapidamente as águas provenientes da chuva, sem considerar a influência das cargas difusas na qualidade hídrica e o seu devido tratamento.

No âmbito político, por sua vez, verifica-se que as políticas de recuperação de rios e mananciais não apresentam endereçamento ou responsabilização pública e orçamentária definidos. Soma-se a isso a falta de integração existente no estabelecimento de políticas setoriais que envolvam temáticas relevantes, tais como águas, esgotos, resíduos, drenagem, habitação e paisagem.

Nota-se, portanto, que os rios urbanos só serão revitalizados se alcançarmos acordos sistemáticos entre as empresas de saneamento e as esferas estaduais e municipais responsáveis por políticas urbanas, criando programas audaciosos e abrangentes de compromissos associados.

Palmeira Jerivá

Foto: Pomar Urbano

Paisagismo no trecho Hebraica

Foto: Pomar Urbano

Paisagismo no trecho Berrini

Foto: Pomar Urbano

Pássaro

Foto: Pomar Urbano

Família de capivaras

Foto: Arquivo EMAE

Lagarto

Foto: Pomar Urbano

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